quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nas ruas, novamente.

Ruy Medeiros
Ontem, ainda vivendo a emoção de haver sido reintegrado no corpo discente (discente mesmo) do Curso de Direito da Universidade Federal da Bahia, fui às ruas ver a manifestação preponderantemente jovem que, como em outros lugares, ocorre em nossa cidade.
Mas explico minha reintegração (simbólica) no corpo de alunos da Faculdade de Direito da UFBA: em abril de 1969, após férias, quando preenchi minha confirmação de matrícula no ano letivo , o funcionário pediu que eu me dirigisse até o quadro de avisos e lesse portaria do Diretor da faculdade. Lí-a. Lá estava ato que, com base no Decreto – Lei 477, o diretor atendendo ordem dos ditadores expulsa-me e a outros colegas. Pronto. Expulso do curso, da residência universitária, do restaurante universitário e, depois, do emprego, proibido de matricular-me em outra universidade, deixei de estudar durante um bom (mau) tempo. Fui proibido de fazê-lo pela ditadura militar.
Não se surpreendam. Vivíamos tempos de opressão e terror do Estado.
Mas ontem, ainda sob emoção de lembranças, fui às ruas. Lá estavam jovens, com sua ironia, espírito crítico e combatividade. Expressões de descontentamento e de mal estar que o capitalismo cada vez mais provoca no mundo, a sensibilidade jovem busca afirmar-se nesse tempo em que “o velho” não quer ceder lugar ao novo, agarra-se a velhas fórmulas e, tenta via mídia, desfazer o pensamento contra a ordem vigente do capital.
Vi a juventude alegre, forte, questionadora. Mas não deixei de preocupar-me com o fato de grupo nitidamente eleitoreiro vinculado à defesa de interesses imediatos, querer faturar em seu favor as manifestações, tentar direcionar o que dizer e o que fazer.

Sei que os jovens saberão repudiar aproveitadores. Isso me conforta. O Movimento, que expressa reação, embora necessita aprofundar questões, certamente saberá como encaminhar a crítica ao oportunismo e ao imediatismo eleitoreiro, fazendo valer sua autonomia.  

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