terça-feira, 17 de agosto de 2021

Para além do analfabetismo funcional

 



Há pessoas que sabem ler e escrever, mas não conseguem elaborar um texto ou compreender uma notícia escrita. Elas frequentaram escolas, sabem somar, multiplicar, subtrair, dividir e lêem e escrevem nomes, frases, talvez mesmo um bilhete, um endereço, ou algo simples. São os analfabetos funcionais ou secundários.

As sociedades atribuem a denominação de analfabeto funcional de acordo com suas exigências culturais. Umas exigem mais e outras exigem menos de seus alfabetizados.

No Brasil de hoje, é incalculável o número de analfabetos funcionais, mas ao lado dele outro fenômeno ocorre: há algo além desse tipo de analfabetismo. Trata-se do analfabetismo que não é sofrido pelas pessoas, mas que por elas é cultivado, exercitado com ganas de bárbaro. Lêem e escrevem, mas se recusam a transformar informação em conhecimento por não exercerem nenhum trabalho reflexivo sobre ela. Essas pessoas encontram-se envoltas em situação do além analfabetismo funcional e reagem alimentando-o. Envoltas no e alimentantes do analfabetismo além do funcional, as pessoas nessa situação caracterizam-se, em primeiro plano, por negar a evidência. Não se trata de, metodologicamente, deixar de lado a aparência das coisas como dado que pode enganar, mas sim de não aceitar aquilo que é transparente ou aquilo que serve de comprovação, ou de não aceitar os dados da ciência. E, nesse agir de recusar o que é evidente, substituem amplamente a ciência pelo obscurantismo. Em matéria de produção do conhecimento, almejam uma escola orientada totalmente contra a discordância e que não tenha o foco voltado para a assim chamada cultura desinteressada, que é tão relevante para o desenvolvimento de cada pessoa e da inteligência.

Esse analfabetismo que se situa além do analfabetismo funcional detesta o direito à diferença sem prezar, no entanto, a igualdade.

Em política, esse novo(?) analfabetismo não julga, simplesmente aceita a coisa, mesmo que essa seja deplorável, tosca e desumana: já há os chefes que pensam pelo e para o novo(?) analfabeto. Essa ausência de autonomia para discernir, auto imposta por aqueles que se encontram além do analfabetismo funcional, os aproxima do objetivo que direcionava a educação do estado nazista (Staat Hitler): crer, obedecer, combater. Porque não julga e não desenvolve a crítica, aquele que se encontra além do analfabetismo funcional não tem qualquer escrúpulo em divulgar as notícias falsas (Fake News) e em atribuir ao chefe qualidades que esse não tem. Alguns deles não hesitariam em adotar a consigna do princípio do chefe: O führer tem sempre razão.

O contingente que sofre e ao mesmo tempo alimenta o analfabetismo além do funcional está aí. Não é de surpreender que vários de seus membros apresentem diplomas e títulos acadêmicos, embora gostem com enlevo do senso comum. Diante do desenvolvimento da ciência, da técnica e do cultivo do espírito, esse além do analfabetismo funcional é um descompasso civilizatório que alimenta formas despóticas de governo.

quarta-feira, 16 de junho de 2021

Homenagem que se impõe

 




Hoje, a Secional da Bahia da Ordem dos Advogados, com repercussão nacional, presta homenagem a Luiz Viana Queiroz, Vice-Presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

Luiz Viana tem sido vítima de notas plantadas na imprensa, inclusive redes sociais, que transmitem falsa caracterização de seu posicionamento político.

Em verdade, aproveitando-se do fato de o Vice-Presidente do Conselho Federal alertar e afirmar que a OAB não deve ser partidarizada, dizem que ele deseja apoiar o governo.

Ora, de sã consciência, ninguém quer ver a OAB transformada em aparelho. Mas, embora sem partido, ela tem o dever político de “defender a Constituição, a Ordem Jurídica do Estado democrático de Direito, os direitos humanos, a justiça social, e pugnar pela boa aplicação das leis, pela rápida administração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e instituições jurídicas”, como consta de seu estatuto.

Luiz Viana, integrante por mais uma vez nos Conselhos Seccional e Federal da OAB, seu hoje Vice-Presidente, tem demonstrado empenho na defesa da democracia e participado ativamente dos embates daqueles que não querem ver a liberdade perecer.

Servem à opressão os que mentem para calar a voz do Vice-Presidente, e todos aqueles que, à míngua de compreensão quanto à atual conjuntura, teimam na tentativa de desqualificar pessoa que mantem, propósito de defender os avanços da liberdade, como sempre tem feito. E, assim, é maior e melhor que notícias plantadas.



Nossa Solidariedade a Luiz Viana.



Ruy Hermann Araújo Medeiros

Osvaldo Camargo Júnior

sábado, 10 de abril de 2021

1964 DC, 31/03

 Ruy Hermann Araújo Medeiros


Publicado originalmente no Ruy Medeiros | 1964 DC, 31/03 | BLOG DO ANDERSON

Renitentes, que nisso se tornaram por força de engajamento em projeto autoritário, ou por incompreensão, ou por força do desconhecimento da história, teimam em comemorar o Golpe de 1964. Comemorar a retirada inconstitucional de um Presidente já é algo difícil de aceitar. 

 

Mas os renitentes, no fundo, comemoram a covardia da tortura de encarcerados, o crime do fazer desaparecer pessoas, o legado da ampliação do latifúndio e da brutal concentração de rendas, a censura a jornais, rádios, revistas e televisão, e aumento da dívida externa. Esse legado da ditadura deve ser comemorado? Li a Ordem do Dia do Sr. Ministro da Defesa. É escárnio ele dizer que a ditadura foi necessária para que tivéssemos a liberdade de hoje. Deve-se retificar essa falsidade. A luta contra a ditadura construiu essa quota de liberdade (pequena ainda) que temos hoje.

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do BLOG DO ANDERSON

sexta-feira, 12 de março de 2021

os lucros bilionários do Bradesco e a programada humilhação em Vitória da Conquista

 

Ruy Medeiros | os lucros bilionários do Bradesco e a programada humilhação em Vitória da Conquista

Foto: BLOG DO ANDERSON

Ruy Medeiros

Os meios de comunicação divulgaram os lucros dos bancos, dentre os quais o Bradesco, logo que foram conhecidos e divulgados pelas respectivas instituições financeiras.  Para o Bradesco, segundo maior banco privado do país, seu lucro líquido recorrente alcançou 19,458 bilhões em 2020 e 6,801 bilhões no quarto trimestre.  Nota de seu presidente executivo destaca que (eles!) “Estamos bastantes satisfeitos com o resultado do quarto trimestre do ano”. Poderia estar insatisfeito? No entanto não acredito que estejam satisfeitos muitos e muitos daqueles que mantêm contas no Bradesco. 

Quem se dispuser, pela manhã, descer a rua Maximiliano Fernandes, em Vitória da Conquista, onde se encontram duas agências do Bradesco pode observar às portas, sobretudo da agência 0270, um exemplo de descaso e humilhação que possui forte aparência de programada.

De que se trata?

A fila é grande, fica exposta ao sol causticante, as pessoas ficam aglomeradas e não se percebe a adoção da prioridade ao idoso. Troca-se a aglomeração interna pela externa, em tempo no qual grassa o COVID-19. É um ajuntamento.

Não estou insinuando qualquer amizade entre Bradesco e COVID, porém não há suficiente hostilidade. Eu mesmo, diante de fila aglomerada, propus esperar, fora dela, até a então última pessoa e, com a entrada dessa, penetrar na agência. Sou idoso. Por três vezes tentei, mas não consegui penetrar no banco e resolver um direito, preservando a prioridade. A justiça certamente será o caminho, que trilharei.

Mas é preciso retomar o foco: os 19,458 bilhões de lucros do Bradesco. Eles não são suficientes para que esse banco trate bem seus correntistas? Por que o Bradesco faz tanta questão dos depósitos de benefícios da Previdência Social? Por que fica à espera de concessão de aposentadorias para obter a conta? Incentiva tanto os empréstimos consignados? Por que, com toda ânsia de obter contas não trata bem os correntistas?

Os lucros exorbitantes não dão para pagar toldos, para que as pessoas não penem ao sol? Os lucros exorbitantes não são suficientes para que o Bradesco adapte o estacionamento vizinho (seu) para abrigar, com distanciamento exigido pela situação, seus clientes? Não são os lucros suficientes para que o banco destaque funcionário para distribuir pré-senhas, inclusive aos prioritários, utilizando seu estacionamento devidamente provido de toldos para atender com o mínimo (deve ele o máximo) de decência seus correntistas? Não pode alertar sequer, com orientadores, para os riscos de aglomeração?

Não é ensaio de capitalismo selvagem. É ele.

*Ruy Hermann Araújo Medeiros é professor e Conselheiro Secional da OAB

 

*Os artigos reproduzidos neste espaço não representam, necessariamente, a opinião do BLOG DO ANDERSON

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Anote

 


Ruy Medeiros



Dia 26 de novembro, quinta-feira, para o domingo seguinte (29/11) estava programada a realização do segundo turno de eleição para Prefeito Municipal de Vitória da Conquista, e o bairro Nossa Senhora Aparecida presenciou evento que lembra velhas eleições municipais.

Em salão pertencente a sobrinho do Vereador Bibia (MDB), atendendo convocação oral, um grupo de cerca de 100 pessoas reuniu-se a fim de escutar uma promessa: O Prefeito Municipal daria título de propriedade a 804 famílias residentes no bairro Nossa Senhora Aparecida.

No início da reunião, Secretário Municipal de Desenvolvimento Social, gerente do CRAS – Centro de Referência da Assistência Social e pessoa responsável por Regularização Fundiária, deram a ordem: “é proibido gravar falas e imagens”. Por que isso? Certamente os agentes públicos tinham consciência de que havia algo incomum na tarefa de que foram incumbidos. Afinal de contas, a administração dispôs de quase quatro anos para providenciar os tais títulos de propriedade, o período era de ebulição eleitoral, as autoridades sanitárias do município exortavam às pessoas que não promovessem aglomerações.

Fato desse tipo pode ensejar ajuizamento de Ação de Impugnação de Mandato Eletivo pois, examinado, dele pode decorrer convicção de que a ação caracteriza abuso de poder. 


segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Adeus, Pedro.

 Foto de arquivo de 13 de outubro de 2006 do Bispo emérito Dom Pedro Casaldáliga em sua residência na cidade de São Félix do Araguaia (MT)  — Foto: Celso Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo

Foto: Celso Junior/Estadão Conteúdo/Arquivo

Ruy Medeiros



D. Pedro Casaldáliga, sua morte foi uma irresponsabilidade.

Logo agora, você se vai.

Um dia, depois de tanto ouvir sobre o seu combate, li num de seus textos:

Nasci às margens do rio tecelão Llobregat em 1928 e em uma leiteira (“Maldito seja o latifúndio, salvos os olhos de suas vacas”). De uma família Católica e direitista, o que naqueles tempos eram uma coisa só. Com a pujante raiz da terra, pelo lado de meu pai, na solarenga fazenda de Candáliga. Pelo lado de minha mãe, com a vista e a palavra e o dinamismo de uma longa dinastia de “Marchantes” (creio na Justiça e na Esperança).

Você tinha tudo para ficar acomodado na Europa. Mas não. Preferiu embrenhar-se num Brasil autoritário e injusto. Meteu-se lá no Norte Araguaia, em Mato Grosso. Estava doido para falar aos pobres, indígenas e não indígenas. Foi fixar-se em São Felix do Araguaia. De nada adiantou dizer que viver na América Latina era ariscoso: Havia uma brutalidade institucionalizada.

“No dia 26 de janeiro de 1968, Manuel e eu trocávamos os 11 graus abaixo de zero de Madri pelos 38 graus acima de zero do aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro. Era um pulo no vazio do outro mundo. Eu tinha conseguido, finalmente o que tinha sonhado e pedido e procurado, raivosamente, durante todos os dias de minha vida de vocação: “as Missões”. Um clima heroico para viver heroicamente – dizia-me então para mim mesmo, ingênuo e obstinado. (Creio na justiça e na esperança).”

E, depois, luta contra a grilagem das terras dos pequenos lavradores, luta em defesa dos índios, solidariedade concreta aos pobres. Você viveu intensamente seus gestos, suas palavras, sua crença.

As perseguições chegaram logo. As ameaças dos grileiros aumentaram. Os boçais da ditadura militar o ameaçavam de expulsão a todo instante, prisão, tortura. Você resistiu.

A ditadura se foi, dizem. Você continuou aqui. Continuou amando sua gente, que eram os despossuídos.

Enfim, você se foi. Cumpriu o que um dia você disse, um pouco diferente, mas tão igual no morrer, morreu moralmente de pé:

Eu morrerei de pé como as árvores.

“Eu morrerei de pé como as árvores.

De pé me matarão.

O sol, como testemunha maior, porá seu lacre

sobre meu corpo duplamente ungido.

E os rios e o mar

se farão caminho

de todos os meus desejos

enquanto a selva amada sacudirá de júbilo suas cúpulas.

A minhas palavras eu direi:

- Eu não mentia ao gritar-vos!

Deus dirá a meus amigos:

- Certifico

que ele viveu convosco este dia.

De súbito, com a morte,

minha vida se fará verdade.

Por fim, terei amado!

D. Pedro Casaldáliga, sua morte é uma irresponsabilidade.

Agora você caminha entre as estrelas da memória daqueles que estudam seus textos, daqueles que admiram sua trajetória, dos indígenas, dos poceiros e camponeses, dos pobres, dos amigos e camaradas.

(D. Pedro Casaldáliga, da Ordem Claretiana, foi Bispo de São Felix do Araguaia, Mato Grosso, faleceu em 08/08/2020).







quarta-feira, 29 de julho de 2020

Novo desenho?



Ruy Medeiros





Servidores e professores municipais entram em greve em Vitória da ...


As eleições municipais batem à porta. Embora tenham sido adiadas para novembro, há sensação de que já estão em cima da hora.

Elas ocorrerão diante de um quadro diferente daquele que dominou o momento das eleições presidenciais, não apenas por que é outro ano e as realidades locais sejam o tema, embora forças sociais e partidos sofram pesadamente a influência de fatores de importância geral, como a onda antiesquerda (mais que antipetista) que dominou aquelas eleições para Presidente da República.

Trata-se da mesma sociedade e estão presentes os mesmos partidos e grupamentos. Por certo, também está presente a mesma polarização, mas o núcleo de um de seus polos encontra-se contaminado com a visível incompetência que demonstra na condução do país.

A crise que andava em curso, agudizada a seguir pela pandemia da Covid 19, deixou escancarados os malefícios da estrutura social perversa. Vê-se que não se trata de falar só da criminosa distribuição da renda nacional, em que dez por cento dos mais ricos concentram quase inteiramente cinquenta por cento dela. Ficou revelado às escancaras um contingente de desamparados cujos rostos e nomes aparecem em extensas filas de pessoas que necessitam receber minguada importância inferior a um salário mínimo para sobreviver (o ministro da fazenda em confissão de que não conhece a sociedade brasileira, ou faz exercício de cinismo, disse que a demanda pelo minguado auxílio mostrou um Brasil invisível!). Vê-se contingente de microempresários aos choros, de joelho diante de governantes, a pedir a reabertura de seus estabelecimentos. Em diversos lugares há o colapso ou quase colapso do serviço de saúde, em suas faces pública e privada. Pequenos negócios são inviabilizados.

Agora, o discurso econômico neoliberal sofre os golpes da realidade. Ou se atende parte da demanda social, ou é a revolta social desorganizada e a ampliação da atividade criminosa. Há não apenas choros abertos ou latentes, mas vontade imensa de contestar.

A direita extremada (nela o Presidente da República e seus ministros) sofre o golpe do descrédito. Não se evitou a prisão, inquérito e processo contra barulhentos apoiadores fascistas do Presidente da República e vão ficando claros, como se exposto numa tela panorâmica bem iluminada, os métodos com que as eleições foram ganhas: do disparo, por robôs, de Fake News, ao apoio de milicianos e abuso de poder econômico. Inviabilizada a transformação de um partido de aluguel (PSL) em partido nuclear da base de apoio parlamentar, círculos do poder não conseguiram formar seu partido (Aliança pelo Brasil), cujas demarches para obtenção de apoiadores foram marcadas pelo fracasso. Há fortes desconfiança, mesmo entre apoiadores do governo federal, na competência do ministro da fazenda e em seu plano (que plano mesmo?).

A direita, antes reunida, desune-se, às vezes com uso de discurso cheio de ódio, e moralismo como arma política, demonstrou esbarrar na revelação da imoralidade das Fake News (de que ela tanto se utilizou), no silêncio de seu líder diante da investigação de seus financiadores e dos crimes de parentes, e amigos do Presidente da República. Agora, mais um golpe: o afastamento do DEM e MDB do alinhamento automático ao Presidente da República e dificuldades para o Centrão.

É evidente que há forte resíduo do amplo discurso contra a esquerda institucionalizada (ou não institucionalizada), mas pode-se prever a ampliação de vozes dispostas a demonstrar quem realmente é o grupo de poder e quem são seus financiadores. Nesse sentido fica esgarçado o discurso contra partidos adversários. Fica esgarçado o discurso bolsonarista e de seus adeptos e abre-se a possibilidade de rearranjos dentro dos partidos oposicionistas (mesmo à revelia de dirigentes), envolvendo inclusive (em alguns Estados e Municípios) o PT, partido que saiu mais golpeado diante da avassaladora onda de denúncias e processos da Operação Lavajato e seus desdobramentos, inclusive a prisão de sua liderança maior.

Resta saber se ainda há a mesma desenvoltura dos partidos adversários do PT, pois esses mesmos já estão com seus problemas: o núcleo do Presidente da República acossado com inquérito no STF, ação no TSE, CPI das Fake News, inquéritos e ações contra amigos e familiares do chefe, pressão da imprensa, por exemplo, não tem jeito nenhum (como pensavam incautos eleitores) e aparência de pudicas noviças de convento ou intérpretes neopentecostais da Bíblia em defesa da moral, da família e dos bons costumes. O Chefe do grupo demonstra que não tem as credenciais que dizia ter. Mesmo falar mal de uma parte de congressistas fisiológicos (centrão) ficou difícil. Afinal, agora são sócios, ou condôminos.

Na cena que se vai desenhando, o PT, que não encontrou ainda o discursos-proposta para fazer oposição, está diante de adversários que, igualmente não têm discurso consistente ou que ora alteram suas falas atabalhoadamente, ora repisam o discurso para isolamento do PT da sociedade e de outros partidos. É como se estivessem tomados pela incerteza. Os partidos com experiência de poder têm seus principais líderes sub judice: Alkmin, Aécio e Serra no PSDB (partido já quase completamente ocupado pelo Governador Dórea, que o joga para a direita que pretende ser alternativa a Bolsonaro), e o MDB contenta-se com migalhas e também tem lideranças sub judice.

Diante das próximas eleições, apesar do racha da direita, especialmente setores que marcharam com Bolsonaro, dos fracassos e da falta de rumo, o Capitão Presidente ainda tem seus barulhentos e rígidos quinze por cento de aliados fiéis. Tudo indica que já não tem o vigor do momento das últimas eleições presidenciais, embora possa ocorrer eventual oscilação favorável do índice de sua popularidade, em razão da utilização de verbas destinadas a pessoas desamparadas (ou que ficaram mais desamparadas) por força da pandemia reinante. Ele já não aglutina os setores mais à direita. Mingou bastante do ponto de vista do apoio de grupos organizados, embora esteja colocando em pauta as proposições de vários desses. Precocemente (em relação a 1922), DEM e PSDB se aproximam para aliança, na direita, alternativa a Bolsonaro.

Em Vitória da Conquista, o PT continua forte, apesar da onda antiesquerda. Seu problema é ele mesmo: reaprender como ser oposição, avaliar de forma pública e corajosa os fatos que marcaram sua trajetória, positivos e negativos, e ida de suas lideranças aos tribunais na condição de rés, formular propostas sobretudo para a saída da crise, e exigir também ele, a avaliar política dos outros partidos quanto a seus membros sub judice e a seu apoio à escalada de Bolsonaro.

Quanto às candidaturas, em Vitória da Conquista o que se sabe é que José Raimundo, ex-Prefeito, será o candidato. Na situação atual, o partido realizará coligação, ou coligações. O embate exige a experiência dos partidos; essa conta mais que candidaturas de líderes de setores, supostamente puxadores de votos, no momento atual. Cabe ao(s) aliados buscarem os votos com a sua experiência. O embate atual não se contenta com “representantes” disso ou daquilo, necessita de definições partidárias, refazimento de alianças. No atual quadro, desponta como aliado, capaz de indicar o candidato a vice-Prefeito, o PCdoB que tem disponível o nome do Vereador Andreson, certamente uma voz atuante no partido e com inserção elogiada na Comunidade. É o que se sabe, mas isso não exclui apoio já indispensável do PSB que já tem quadros que militam desde novos na política local. Parece-me que o processo está assim sinalizando.

Ruy Medeiros recebe diploma simbólico da UFBA em ato de reparação histórica

Memória do Direito | Ruy Medeiros recebe diploma simbólico da UFBA em ato de reparação histórica 17 de setembro de 2026, 8:14 / Anderson ...