segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

100 Anos do Falecimento de Meneca Grosso


100 Anos do Falecimento de Meneca Grosso
(atualizado 18/02/2019: 15:21)
Ruy Medeiros
Para:
Dilson Ribeiro de Oliveira e Maria Santos Oliveira,
sua esposa, Paulo Márcio Fernandes Cardoso,
Humberto Flores, Ubirajara Brito e
Francisco Paulo Ribeiro Rocha


Há cem anos, na Fazenda Baixa do Arroz, no município de Vitória da Conquista, faleceu Manoel Fernandes de Oliveira, mais conhecido como Maneca Grosso (08 de maio de 1869 – 11 de fevereiro de 1919).
Manoel Fernandes de Oliveira, filho de Manoel Fernandes de Oliveira e de Umbelina Maria de Oliveira, nasceu em 08 de maio de 1869, na Imperial Vila da Vitória, nome que então tinha o Município de Vitória da Conquista. Após o falecimento de seu pai, ocorrido em 18 de fevereiro de 1876, sua mãe contraiu núpcias com Ernesto Dantas Barbosa, pessoa com quem o enteado teve excelente relação.
Maneca Grosso mantinha uma escola em sua fazenda (Baixa do Arroz), onde lecionava. Não teve educação formal, escrevia artigos para jornais (A palavra, de Conquista, e Diário de Noticias, de Salvador, em seção “a pedidos”), foi professor, poeta, jornalista e político. A politica o envolvia e sua morte tem relação com essa.
Em Vitória da Conquista formaram-se dois grupos políticos: Meletes (oposição) e Peduros (situação). Embora dessas facções participassem pessoas das mesmas famílias e ambas seguissem o Governador J J Seabra, após a morte do coronel Gugé foi impossível controlar o acirramento das divergências. Os grupos possuíam seus veículos de comunicação: O “Conquistense” era porta-voz dos meletes e a “Palavra” representava a orientação dos Peduros. Em antigos e versos satíricos publicados nos jornais, Maneca Grosso atacava fortemente os meletes, especialmente o Coronel Pompilio Nunes, o juiz de Direito da Comarca (Antonio José de Araújo) e o Promotor de Justiça (Virgílio de Paula Tourinho).
A mudança na Constituição Estadual no sentido de tornar o cargo de Intendente (então era o titulo do chefe do Executivo Municipal) de eletivo para de nomeação pelo Governador obstaculizava, no entender dos Meletes, sua ocupação do Governo municipal, pois aquela alteração alimentava o continuísmo. Embora se declarassem seabristas, os meletes gradativamente afastavam-se de Seabra por perceberem que este não os prestigiava.
Em 5 de janeiro de 1919, Maneca Grosso saiu da cidade para a Baixa do Arroz em companhia de Cirilo, seu amigo. Ambos foram emboscados em Simão, localidade entre Campinhos e Baixa do Arroz. Pistoleiros a serviço dos meletes assassinaram Cirilo e espancaram fortemente Maneca Grosso. Este, tomado de grande dor moral e em consequência dos ferimentos, veio a falecer em de 11 fevereiro de 1919.
A distribuição de panfletos ofensivos entre as facções, as discussões acaloradas, a morte de Cirilo e o espancamento de Maneca Grosso findaram por instalar a luta armada entre Meletes e Peduros que completou um século no último janeiro.
Meneca Grosso deixou poesia publicada em jornais e inéditas, inclusive um livro. Camilo de Jesus Lima pretendia escrever sua biografia. Não o fez, mas dedicou-lhe elogioso artigo, publicado na edição de 28 de janeiro de 1961 de “O Jornal de Conquista”. Nesse artigo Camilo lançou a idéia de construir um obelisco em homenagem ao poeta Manoel Fernandes de Oliveira no Cimo do Morro da Tromba. Chegou mesmo formar-se comissão composta por várias personalidades conquistenses para viabilizar a construção de mencionado obelisco que, um século decorrido da morte do bravo Maneca Grosso, não foi edificado.
Os Conquistenses prezam sua história e sobre tudo dois poemas do poeta: Canto do Cisne e do Cimo do Morro da Trombra, os mais conhecidos e lembrados.
A poesia de Maneca Grosso foi bastante influenciada pelos poemas de Castro Alves. É o que se percebe em poesias esparsamente publicadas em jornal local e em seu livro inédito.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Tributo a Heleusa Câmara



Ruy Medeiros

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, em pé, planta e atividades ao ar livre
Em antologia organizada por Jaime Martins de Freitas, de julho de 1980 (Poetas Contemporâneos de Vitória da Conquista), Heleusa escreveu em introdução a doze de seus pequenos poemas ali estampados:
Eu me apresento: há 36 anos no dia 14 de maio de 1944, nesta cidade de Vitória da Conquista, num domingo, por sorte de sol, chegava Heleusa, quarta filha de Ubaldino Gusmão Figueira e Maria Stela Morais Figueira.
Vim para ficar, e lutei contra a morte em muitas doenças infantis. Tive uma infância feliz numa conquista de poucas ruas calçadas e muitas brincadeiras de roda, tonga e anelzinho.
Casei-me aos 19 anos com Almir Querino Câmara e temos quatro filhos.
Há oito anos comecei a lecionar História, matéria que me encanta.
Não tenho pretensões literárias e o que faço retrata o que sinto.
Heleusa Figueira Câmara (14/05/1944 – 06/01/2019) marcou fundo Vitória da Conquista. Amada professora de literatura na UESB, destacava-se na cátedra por admitir abordagens diferenciadas dos textos submetidos aos estudantes e por sua capacidade de diálogo com esses. Aliás, capacidade de ouvir e responder a todos, independentemente de colorações ideológicas, religiosas ou de cultura, gênero e etnia. Embora de formação evangélica (Batista), teve como orientador de uma de suas pós-graduações um anarquista, que se tornou seu amigo. Heleusa sempre buscou o saber. Cursou mestrado e doutorado e era militante cultural.
Intelectual incansável: Professora de História (de 1972 a 1980) no Centro Integrado Navarro de Brito, Professora de Português Instrumental e Comunicação, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Vice-Reitora dessa, fundadora (com outros escritores) da Academia Conquistense de Letras, a qual presidiu nos biênios 87/88 e 89/90, Presidente do Conselho (Penal) da Comunidade da Comarca de Vitória da Conquista, Secretária Municipal de Educação (gestão do Professor Doutor Historiador José Raimundo Fontes), Coordenadora do Proler (atividade da Biblioteca Nacional) em Vitória da Conquista por vários anos, sócia do Educandário Juvêncio Terra. Heleusa estimulou várias pessoas à atividade da escrita, resultando em publicação (pela qual trabalhava) de livros de ficção e memória.
Fez versos, contos e textos científicos. Sobre o valor de sua produção literária é bom que se diga: livros referenciados por escritores de destaque, inclusive críticos de literatura. Cito o caso de duas de suas obras ficcionais: “Mulheres Acorrentadas” (1982), publicada pela acreditada Editora Cátedra, tem prefácio de Afrânio Coutinho, destacado crítico cujo renome vai além do Brasil, autor de Introdução à Literatura no Brasil, e diretor da obra, em seis volumes, A Literatura no Brasil, dentre outros. “40 graus de outono” (1990), editado pela casa não menos famosa Massao Ohno Editor, tem apresentação de Antonio Carlos Vilaça, consagrado escritor ficcional, memorialista e crítico, e prefácio do poeta (e historiador da literatura) Carlos Nejar.
Heleusa escreveu contos, novela, poemas, texto científico e teatro. Dentre suas obras encontram-se as referidas Mulheres Acorrentadas, 40 Graus de outono, e A Baleia, Contas na Mesa, Fantasia Serrana (duas peças de teatro), Atrás das Paredes e das Grades (sobre a situação de encarceramento).
Almir Querino Câmara, seu marido, hoje viúvo, é engenheiro civil. Tem grande folha de serviços prestados a Vitória da Conquista. Em 1973, a convite do Secretário de Obras, Aliomar Coelho, passou a integrar a equipe do Prefeito Jadiel Matos. Permaneceu no serviço público municipal por trinta e alguns anos, destacando-se por sua competência e probidade. Prestou serviços, na qualidade de engenheiro, à Caixa Econômica Federal, e desenvolveu atividades de produtor rural.
Heleusa deixou filhos: Diana, Mônica, Danilo e Verônica.

A professora Heleusa, assim era mais conhecida, faleceu em 6 de janeiro de 2019, e era profundamente querida e admirada por todos aqueles que a conheceram. 


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

ELEIÇÕES OAB 21/11/2018





















Aos Advogados


Colegas,

No próximo dia 21 de novembro todos nós estaremos participando de eleições como votantes e, alguns, como dirigentes e respectivamente Conselheiros à administração da Ordem dos Advogados do Brasil. Serão eleições ao Conselho Federal, aos Conselhos Secionais e às Subseções. É um momento importante.
Estou submetendo meu nome à sua apreciação: sou candidato a Conselheiro Seccional da OAB-Ba. Integro a chapa encabeçada pelo nosso colega Fabricio Castro, que atualmente é destacado Conselheiro Federal. Dessa chapa igualmente participam advogados que atuam em nossa Subseção: Luciana Santos Silva e Wendell Santos Silveira, e igualmente dela faz parte Ubirajara Ávila, como Conselheiro Federal, atual presidente da Subseção de Vitória da Conquista na qual vem realizando excelente gestão.
Acompanho, quanto a subseção de Vitória da Conquista, a chapa que tem à frente Ronaldo Soares.
Peço-lhe o apoio às chapas Avança OAB (para Conselheiros Seccionais e Federais), e Avança OAB Conquista (para Diretoria da Subseção).
Entendo que referidas chapas encontram-se a altura de enfrentar os desafios postos à advocacia na atual conjuntura.
Muito Grato.


Ruy Hermann Araújo Medeiros

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

NOTA PÚBLICA EM DEFESA DA DEMOCRACIA



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imagem site: www.politize.com.br





Nós, professores do Curso de Direito da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB, manifestamos nosso compromisso com a democracia, com a autonomia universitária e com as liberdades fundamentais. Por essa razão, tornamos pública a presente nota, no sentido de repudiar todo e qualquer ato que afronte os pilares do Estado Democrático de Direito.

Não nos calaremos diante da opressão, do autoritarismo e do fascismo. O processo de redemocratização, iniciado na década de 80, foi resultado de histórias de luta. Várias famílias permanecem em luto pela perda de pessoas que resistiram em defesa da democracia. As atrocidades praticadas no regime militar não poderão ser esquecidas.

Vivenciamos um cenário delicado, um verdadeiro risco à sobrevivência da nossa democracia. Não podemos nos curvar diante do discurso do ódio, de propostas de redução e extinção de direitos fundamentais e, sobretudo, da ascensão de um regime ditatorial, intolerante, racista, homofóbico, misógino e autoritário.

Consideramos danosos os atos de cerceamento de liberdade de expressão ocorridos em universidades públicas de todo o País. Sabemos que essas posturas revelam o início de um retrocesso constitucional e lança ao abismo as garantias conquistadas ao longo das três décadas que marcaram a nossa redemocratização.

Lutamos por educação de qualidade, com autonomia de pensamento e construção crítica. Lutamos por melhorias nas áreas da saúde, da previdência, da assistência, dos direitos trabalhistas e das liberdades.

Diante desse panorama, reafirmamos nosso compromisso com os fundamentos estruturantes do Estado Democrático de Direito, ao tempo em que manifestamos nosso apoio aos atos em defesa de uma sociedade justa, livre e igualitária.

Pela democracia, seremos resistência!


RUY MEDEIROS
LUCIANO TOURINHO
CLÁUDIO CARVALHO
DANIELLA MAGALHÃES
MARIA SOLEDADE S. CRUZES
LUCIANO SEPULVEDA
LUCIANA SANTOS SILVA
EDGARD LARRY
CARLOS PÚBLIO
DÉLCIO MEDEIROS RIBEIRO
ALEKSANDRO LESSA
MARIA DA CONCEIÇÃO FONSECA-SILVA
MARTA CRISTINA NUNES ALMEIDA
JORGE MAIA
GABRIELA FERNANDES
MARCELO MACHADO
LUCAS PEREIRA CARWILE
MARIA HELENA FERRAZ DE OLIVEIRA
MARILZA FERREIRA DO NASCIMENTO

sábado, 27 de outubro de 2018

Tribunais Eleitorais contra a Democracia

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Portal Vervelho


Ruy Medeiros

Vi e ouvi atônico nos meios de comunicação coisa a que não assistia desde a época da ditadura militar.
Rasgando a Constituição da República que rege sua atividade, em maior razão do Direito, alguns presidentes de Tribunais Regionais Eleitorais, representando-os, determinaram que força policial penetrasse (em verdade, invadisse) campi universitários e aí apreendessem textos e objetos e inviabilizassem eventos e debates políticos.
Esses presidentes de Tribunais Eleitorais resolveram tomar partido na luta eleitoral, proibindo a discussão sobre democracia e fascismo no âmbito da Universidade.
Agiram ilegalmente: a competência para matéria de eleições presidenciais é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não é dos Tribunais Regionais; a Constituição assegura direito de reunião e livre manifestação de pensamento; a Universidade goza de autonomia e uma de suas finalidades é o ensino que deve ser feito com liberdade e nunca sob domínio de baionetas e mandados judiciais espúrios. Seu compromisso constitucional é com o saber. Debate político não é propaganda eleitoral.
Por que ficaram presidentes de alguns Tribunais Regionais incomodados com debates sobre fascismo e democracia? Que há com eles e com membros do MP que opinaram favoravelmente a suas ações? É preciso que o TSE, o Conselho Nacional da Magistratura e o Supremo Tribunal Federal adotem sérias providências, pois diferentemente daquilo que a Presidente do TSE disse, não se trata apenas de excessos no exercício do poder de polícia eleitoral.
P.S.: Obrigado a todos pela resistência!

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Esopo, eleitoralmente


Ruy Medeiros


www.blogdoanderson/Professor Moura
Meu professor de latim, Antonio Moura, desafiava os estudantes a traduzir as fábulas dos escritor grego, Esopo, vertidas para a língua de Roma por Fedro, poeta latino. Moura foi biografado por Margô, filha de seu Clarindo. Noutro dia falarei disso.
O professor lia e os estudantes acompanhavam munidos do livrinho de latim: Aesopus auctor quam materiam repperit, Hanc ego polivi versibus senarius (“Eu traduzi em versos senários esta matéria que seu autor Esopo inventou”...). O mestre explicava que Fedro dizia haver polido, traduzindo em versos, as fábulas de Esopo. Versos de seis sílabas poéticas, senários, tradução dificil para os iniciantes. Resultado que alegrava.
Minha memória aqui é atiçada ao folhear uma edição em latim do Phaedri Fabularum (Fábulas de Fedro), exemplar que pertenceu a um certo Falconey Mascarenhas e que Enock Medeiros, meu tio, adquiriu no sebo de Loureiro. Ali estão os nomes dos proprietários e o carimbo oval: “Livraria Loureiro – compram-se, vendem-se e trocam-se livros usados – Rua Collegio, n° 14 – Tel: 4250 – Bahia”. Conheci Edgar Loureiro quando este já estava com seu sebo no Viaduto da Sé ( parte baixa).
Pois bem. Vou ao que aqui interessa.
Há uma fábula de Esopo que permite uma boa “leitura eleitoral”.
Conta o fabulista grego que o porco selvagem (javali) e o cavalo se alimentavam no mesmo pasto. O cavalo sempre se irritava muito com o porco porque este destruía o capim e sujava a água. Muito aborrecido, para vingar-se do porco o cavalo pediu ajuda ao caçador. Este disse ao cavalo que só poderia ajudá-lo se ele aceitasse uma sela no lombo onde ele, caçador, montaria e uma rédea presa na boca, a fim de caçar o porco. O cavalo aceitou a condição e o caçador efetivamente colocou os arreios no animal e partiu para a caça ao javali, conseguindo matá-lo. A seguir, o caçador conduziu o cavalo para a cocheira e quando este lhe pediu que retirasse sela e rédea o caçador respondeu que não faria isso.
Esopo remata: “Assim muitas pessoas, ao quererem por um cólera irracional se vingar dos inimigos, acabam por se submeter ao domínio de outras” (Aqui eu sigo a tradução de André Malta).
Assim é (e)leitor, nesse tempo de cólera irracional, que a fábula de Esopo (O cavalo, o javali e o caçador) se atualiza e ganha um sentindo eleitoral. Os antigos diziam que “a raiva é má conselheira”
Não seja o cavalo de Esopo.
Bom dia!
P.S. Um obscuro coronel, a título de fanaticamente puxar saco do capitão reformado candidato a Presidente, ofendeu Deus e o mundo. O ministro decano do STF pode resumir quem é o coronel: um desprovido de inteligência para argumentar e de capacidade de convivência democrática. As cadelas estão no cio.









Ruy Medeiros recebe diploma simbólico da UFBA em ato de reparação histórica

Memória do Direito | Ruy Medeiros recebe diploma simbólico da UFBA em ato de reparação histórica 17 de setembro de 2026, 8:14 / Anderson ...